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flavio giusti

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Egoastrítico porém controlado " Todos reconhecendo o belo como belo: eis o feio
Todos reconhecendo o bem como bem: eis o mal"

Lao Tse

Poesiadesign

November 09

Maria sem braço

Bela vela de saia
Sabe descer do candelabro
E fazer cabeças pegarem fogo
Quando transeuntes pela praia


Por onde passa é uma ameaça
Tira o chão dos homens sem dó
E como tem quem pede algum degrau
Para isso não se tornar uma desgraça!


Topless que entope a vista
Umas de bolas, outras de listras
Nem hesita em dar uma de maria sem braço
Imitando qualquer modelinho de revista


Se chegassemos em três
Um de nós ia ficar de vela
Ou ser o mais sortudo e faturar
Parafina ajuda na escorregadela



Poesia baseada em foto da fotografa/deigner Bia moraes
http://www.fotolog.com/biamoraes

Mãe Natureza

Rosa verde como adorno?
Ou seria isso um corno?
De uma mãe traída
Iludida
Pelo amor de sua prole
Que a cada garfada ao prato
Quase a mesa toda engole

Educação de berço?
Isso é que não faltou!
E ainda sobra pra ela
Arcar com as dívidas
Que ela nem sabe quem
Foi o filho com desdém
Que gastou e pendurou
- "E que se foda pra quem ficou!"

Era preferível ser virgem
Ter ficado pra titia
Ao dar a luz a algo
Tão divino como um feto
Que nesse caso mais parece
Algo oriundo do intestino reto!
Minha Nossa Senhora Ave Maria!

Com tanta filha da puta santa
Sem uma mãe por ai
Justo uma mãe presente
Vai ter uma filha puta: a raça humana.

Poesia baseada em foto da fotografa/deigner Bia moraes
http://www.fotolog.com/biamoraes

June 14

ex-correndo

um dia você tropeça
e o mundo parece cair junto
peça por peça
ficando tudo em outro plano
esse não era meu plano, cair!
e ver tudo e todos maior
sentindo-se menor ao redor
 
mas, dessa vez foi diferente
de costas via o que era de frente
e tudo estava do mesmo tamanho
estranho
era pra me sentir de outro jeito
estreito
como pé calçado no culpado buraco
mas meu sapato
mesmo muito usado ainda me protege
 
e eu que vivia sempre correndo
escorrendo
na erosão desse chão
passando dos limites
ex-correndo
eu me acho
eu me encontro
com meu limite
eu me confronto
a base é o limite
limite firme
do firme ao firmamento

Sumo

Azedo
Como o sumo
Tarda ou cedo
O-consumo
Sumo
Pra me diluir
Em partículas gástricas
Como o fogo
Em formas plásticas

amarelas paralelas

vivo querendo por regras na vida
regras matemáticas, regras de acentuação
tratando-a como teoria inofensiva
estratejando o controle da situação

ponho acentos onde ninguém se senta
extraio a raiz de onde era pra se plantar
minha história não precisava de legenda?
reparei mesmo alguns caracteres fora do lugar...

uma ilha perdida de edição
cai na rede que nem chip
Cruzoé sabe de salteado
o que vem a ser fish

traço duas incompletas
amarelas paralelas
que são meu cruzamento
à espera do não momento

retas nem sempre são rumos
metas nem sempre tem prumo

vivo querendo por regras nos fatos
pingos nos "i"s e crases nos "a"s
enchendo onde piso de tolos recatos
tropeçando em cláusulas sempre novas

causo ansiedade em minha espreguiçadeira
escolho bitolas mais que o dobro tolas
dôo esmolas para mim mesmo de bobeira
só apanho tendo uma postura batedora

hóstiaosporese

hóstiaosporese
dos papa-hóstias
que temem que ozzy osbourne
influencie suas filhas
a perderem a virgindade
com qualquer "garoto fimose"
de 14 anos de idade
que nem sabe a diferença
de catecismo e castidade

sr. papa nicolau
santo conjugado
descomunado
da unidade pententecostal
acusado
por pedofilia
pelo filho
do ministro da eucaristia
caso abafado
durante a preparanção
da santa comunhão

blasfêmur
no nulo meio das pernas
das Barbies e dos Kens
o pecado aparente
pra quem?
pros crentes
que juram
que indo pra tras
pode-se ir pra frente
de costas pra vergonha
de cara pra bunda
do banco da frente
no fundo da igreja
da filha da corcunda

geme flexionado osório
ao Genuflexório
pagando os pecados de seu dogma
terço na mão
como se fosse uma revista
e a igreja um banheiro
e seu ventre a tensionar
suadas dores de cólica
diante do baixo clero
que sustenta Deus ao alto
para que o meio comum
sempre precise de seu intermédio
January 13

andam dizendo por ai


andam dizendo por ai
coisas que me fazem rir
que não canso de agir errado
se ajo: "tá ficando aloprado?"
se não ajo: "vai fica ai parado?"
eles querem mesmo é falar

andam fazendo a minha caveira
dizendo que só faço besteira
inclusive o que não deve
se bebo: "como você bebe!"
se não bebo: "mas você num bebe?"
eles querem mesmo é falar

andam queimando a minha pessoa
pelos cantos afora já ecoa
que não levo jeito pra nada
se tô na minha: sou agua parada
se me intrometo: sou encruzilhada
eles querem mesmo é falar

andam falando pelos cotovelos
que não tenho um pingo de zelo
que me visto como um equivocado
se me visto mal: "mas que farrapo!"
se me visto bem: "putz, que viado!"
eles querem mesmo é falar

andam mais que suas próprias pernas
organizando um verdadeiro cartel
espalhando pelo chão os grãos
vendendo minha vida à granel
só esquecem de dizer de boca cheia
que falam demais da vida alheia
 
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